
Para alguns poderá parecer um periodo de relaxe, acreditem que é apenas uma época de retemperar forças, um novo ano se aproxima e com ele a esperança de mais seriedade, verdade e franqueza.
Um sincero Voto de Boas Festas dos FenixRemix.
Não somos nós que criamos a verdade, que a dominamos e a fazemos valer. É a verdade que nos possui.


Em tempos, na era do cavaquistão louletano, já assim fora. O hardcore do tráfico de influências, do compadrio e da chantagem sobre quem tivesse a ousadia de pretender assentar um tijolo sobre outro, atingia o seu clímax naqueles célebres almoços no Areeiro e noutras casas de pasto igualmente famosas à época.
Por ali desfilavam os amigos do clube acotovelando-se na disputa de um lugar à mesa do governador, sempre na angustiante busca da oportunidade de uma palavrinha sobre o projecto de que lhe tinha falado em tempos.
Voluntários ou compelidos, de peito inchado e espinha dorsal gelatinosa, lá iam cumprindo o ritual da dádiva generosa à grande paixão do senhor governador – o louletanão.
Os tempos mudaram, o estilo e os métodos também são outros. A paixão, a grande paixão pelo louletanão é a mesma. Aos amigos de outros tempos, hoje chamam-lhe patrocinadores.
Estes, os patrocinadores, já não precisam de mendigar uma oportunidade para ter o privilégio de almoçar com o apaixonado governador e exibir a sua generosidade. Hoje, os patrocinadores têm funcionários que querem ser recebidos na hora e exigem a aprovação dos projectos em tempo record.
Hoje, o senhor governador também já não perde tempo a receber os funcionários dos patrocinadores. Um diligente ajudante encarrega-se de receber a comitiva e, na hora, tratar condignamente os mandantes e a encomenda.
As ordens não tardam, a eficácia e poder do ajudante do governador são postos à prova em cada um dos serviços que a encomenda tem que ser tratada. Tudo para ontem, porque a paciência do patrocinador tem limites e o cheque que tarde a aparecer pode por em risco a subida do louletanão à liga de honra. E a honra do senhor governador ficará seriamente manchada com tamanho fracasso desportivo.
Por isso meus senhores toca a informar depressa e bem, porque o senhor governador quer o processo no seu gabinete ainda hoje, disse o ajudante do alto da sua cátedra de homem humilde, mas conhecedor profundo destas coisas de aprovar projectos.
Até porque o senhor governador fez questão de não aceitar um qualquer pindérico pato bravo local para patrocinar a sua grande paixão. O senhor governador mandou seleccionar, de entre os muitos candidatos ao patrocínio, aquele que lhe apresentasse o maior problema. Para grandes problemas, grandes soluções e grandes patrocínios.
E os escolhidos foram uns banqueiros. Não uns banqueiros quaisquer. O senhor governador não duvidou que os banqueiros tivessem todos dinheiro em abundância, mas nem todos teriam projectos difíceis de aprovar, como os seleccionados tinham.
Estes, os banqueiros patrocinadores da grande paixão do senhor governador, tinham umas casinhas na chacara do lago carregadas de problemas. E como casas com problemas não se conseguem vender, ninguém melhor do que o senhor governador para ajudar a solucionar os ditos problemas. E quem melhor do que os banqueiros que tinham casas com problemas que não conseguiam vender para ajudar o clube da paixão do senhor governador a resolver os eternos problemas de pagar aos futebolistas que, ano após ano, se propõem cumprir os desígnios do senhor governador – ver o clube da sua paixão disputar a liga de honra competindo com o felgueiras e o gondomar.
Final do capítulo, mas não da novela.
Os problemas das casinhas da chacara do lago desapareceram miraculosamente com o generoso empenho do ajudante do senhor governador. Os banqueiros já venderam as casinhas e o clube da paixão do senhor governador lá continua a receber o cheque do patrocínio e a alimentar o sonho de subir à liga de honra. Até quando ?
Tende calma porque o senhor governador não dorme em serviço e a selecção destes banqueiros foi feita criteriosamente, como já referimos.
A propósito, a grande paixão do senhor governador já está em primeiro lugar na classificação e, naturalmente, um bom patrocinador dará sempre jeito.
Volta cavaco. Tás perdoado.

Predestinado a uma promissora carreira política, teve-a ao seu alcance ainda moço.Tudo se conjugava para que assim fosse.
Estudante trabalhador ( bolseiro?) por conta do regime . Alto patrocínio do então governador das Terras de Loulé. Comissário da juventude louletana, dinâmico, fatinho e camisa cor de rosa.
Algo correu mal na alavancagem da sua auspiciosa carreira política.
De nada serviu o ciclópico esforço para concluir a licenciatura ao mesmo tempo que suava as estopinhas ao serviço do governo das terras de Loulé. Ninguém lhe reconheceu as qualidades. Ingratos !!!!!!
Inconformado, logrou revoltar-se contra as injustiças do regime, lançando uma CRUZADA contra o herdeiro do ex-governador das Terras de Loulé, que entretanto emigrara aquela cidade que inventou as couves muito pequeninas e tem como símbolo um miúdo a fazer xixi.
Não poupou a pena na denúncia de atropelos, injustiças e outros desmandos do vice governador das Terras de Loulé, entretanto promovido a governador. E teve sucesso na CRUZADA que lançou contra os infiéis socialistas.
Apeados os ditos infiéis, sucederam-lhe os laranjas. Quem mais poderia ser, a alternancia democrática é mesmo assim.
O cuzado foi ouvido, entendido e acolhido.
Mesmo carimbado com o epíteto de vira casacas, não se fez rogado na ultrapassagem à concorrência dos jovens laranjas genuínos e fez-se convidar para o cargo de ajudante do governador do LC.
Homem de fé inabalável, esgrimindo a pena e a malinha de vento, resistiu estoicamente às campanhas que contra si iam sendo zurzidas pelos preteridos do novo regime.
Não chegou a aquecer a cadeira de ajudante do governador do LC.
O coro dos preteridos, com a argúcia própria de uma velha raposa, endereçou-lhe um simpático convite para desempenhar as funções de governador dos desempregados louletanos. Conhecedor das vicissitudes de uma carreira política, sabendo que o leiteiro nunca bate à porta duas vezes, não enjeitou a oportunidade e transferiu a sempre inseparável malinha de vento para a vizinhança do Duarte Pacheco.
As carreiras políticas são como uma montanha russa, feitas de pontos altos e descidas vertiginosas. A atracção do Durão Barroso pela terra das couvinhas e do menino a fazer xixi e os desmandos do ex governador de Lisboa, arrastaram na desgraça o jovem da CRUZADA, obrigando-o a transferir novamente a malinha de vento para a corte do governador do LC.
Com o cargo de ajudante do governador sabiamente ocupado pela sagaz raposa da freguesia de baixo, acomodou-se nas modestas instalações do paga pouco e ascende meteoricamente à condição de chefe das coisas económicas do governo do LC.
Finalmente, a árdua cruzada travada contra os infiéis foi condignamente recompensada.
Finalmente chefe, com muitas horas vagas, não lhe foi difícil descobrir que a malinha de vento também servira para guardar religiosamente os escritos com que ajudou a derrubar os infiéis na CRUZADA.
Convencer o governador do LC a patrocinar e pagar a primeira edição de obra prima, foi só uma questão de esboçar argumentos irrefutáveis.
A CRUZADA, assim se chamará a obra prima, substitui com vantagem aquela revista chata com um título mouro e que habitualmente enche aquele saquinho de papel LC que o governador manda oferecer a todos os ilustres que nos visitam.
Ou melhor ainda. Quando algum ilustre louletano for chamado ao concurso do preço certo, o senhor governador não ficará envergonhado com o conteúdo do saquinho de papel LC que o distinto louletano irá oferecer ao Fernando Mendes. Se, além dos isqueiros, das canetas, dos portas chaves, dos porta cartões e tantas outras lembranças do LC , o senhor governador do LC mandar juntar a CRUZADA , símbolo da genuína cultura louletana, exultará o Fernando Mendes e toda a entusiástica plateia que assiste ao concurso do preço certo.
E eis que, fruto de uma criteriosa e ponderada selecção, a CRUZADA logrou obter o alto patrocínio do governador do LC.
Publicada a obra, há que fazer a sua apresentação. Com pompa e circunstância. Nada de uma pindérica sessão de autógrafos como fez o Santana Lopes. A apresentação de uma obra prima, como será a CRUZADA, merece uma cerimónia de nível superior, com canapés e pasteis de bacalhau, acompanhados do sempre presente espumante comemorativo do lançamento das grandes obras de arte. O senhor governador do LC também mandará pagar. Que se cuide o Borat.
Como é obvio estão todos convidados.
Caro(a)s colegas
Venho pela presente dar-lhes a conhecer a apresentação de um livro da minha autoria, de seu nome “A Cruzada”, cuja apresentação irá ter lugar no próximo dia 7 de Dezembro, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal de Loulé. O livro resulta da compilação das crónicas que escrevi entre Março de 2000 e Janeiro de 2002 e é editado pela Citymap (editora proprietária do Jornal “A Carteia”) e conta com o apoio da CMLoulé. A terminar, apesar de compreender que a disponibilidade de muitos de vós, porventura, não permita que vão ao local, saibam que gostaria de contar com a v/presença.
O autor.

